O ex-presidente da República Michel Temer afirmou, nesta sexta-feira (14), que o próximo governo federal, independentemente de quem vencer a eleição presidencial de 2026, terá de enfrentar um forte processo de ajuste nas contas públicas. A declaração foi dada durante entrevista à imprensa nas comemorações dos 215 anos da Associação Comercial da Bahia, após a exibição de um filme no UCI Orient, no Shopping da Bahia, em Salvador.
Ao projetar o cenário econômico para 2027, Temer avaliou que o presidente que assumir o Palácio do Planalto terá de lidar com uma situação fiscal difícil, especialmente diante do aumento de despesas e das medidas adotadas durante o período eleitoral.
“Quem assumir, seja o eleito ou reeleito, vai ter que fazer um ajustamento fiscal pesadíssimo”, afirmou.
Temer disse que o próximo governo terá de enfrentar também as chamadas “bondades eleitorais” concedidas durante o período que antecede a eleição. Na avaliação do ex-presidente, a ausência de um limite constitucional para o crescimento das despesas públicas aumenta a dificuldade do próximo mandatário.
“Vai pegar essas tais bondades eleitorais, todas que se verificaram ao longo do período”, declarou.
Ao defender a necessidade de controle dos gastos públicos, Temer relembrou uma das principais medidas adotadas durante seu governo: o teto de gastos, instituído pela Emenda Constitucional 95, em 2016. A regra estabeleceu limites para o crescimento das despesas primárias da União. (Bahia Serviços)
Segundo o ex-presidente, a medida foi adotada com o objetivo de conter o avanço da dívida pública.
“Uma das primeiras emendas constitucionais que nós fizemos, por sugestão da equipe econômica que estava comigo, foi estabelecer um teto para as despesas públicas para diminuir a dívida pública”, afirmou.
Temer criticou o atual modelo de controle das despesas federais ao comparar o cenário atual com o período de seu governo.
“Hoje não. Hoje você não tem esse teto”, disse.
Para o ex-presidente, o resultado será uma pressão fiscal significativa sobre o próximo governo, independentemente do resultado das urnas.
“Quem assumir o governo, volto a dizer, seja o eleito ou o reeleito, vai ter um problema seríssimo no próximo ano”, afirmou.