O ex-presidente da República Michel Temer afirmou, nesta sexta-feira (14), que o cenário eleitoral brasileiro ainda pode ser alterado por fatores imprevisíveis. Durante entrevista à imprensa nas comemorações dos 215 anos da Associação Comercial da Bahia, após a exibição de um filme no UCI Orient, no Shopping da Bahia, em Salvador, Temer destacou o que chamou de “imponderável” das eleições.
Segundo o ex-presidente, mesmo quando uma disputa parece estar definida, acontecimentos inesperados podem modificar o comportamento do eleitorado e o resultado das urnas.
“Você sabe que eleição é uma coisa sempre muito surpreendente. Tem o chamado imponderável durante as eleições”, afirmou.
Temer citou como exemplo a eleição de Jair Bolsonaro e mencionou uma situação ocorrida durante aquela campanha que, na avaliação dele, teve caráter imprevisível e acabou contribuindo para o resultado eleitoral.
“Você verifica mesmo no caso do presidente Bolsonaro, aquela filiada que ele recebeu era imponderável. Era uma dúvida que ajudou a eleger”, declarou.
Ao analisar o atual cenário político, Temer afirmou perceber uma forte polarização em torno dos principais grupos políticos. Segundo ele, de um lado está o atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, e, de outro, o campo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Há uma radicalização já muito concretificada, muito estatificada. De um lado, atual presidente, e do outro lado, claro, do Bolsonaro”, afirmou.
Apesar da percepção de polarização, Temer ponderou que ainda não é possível saber se esse quadro permanecerá até a eleição. Para ele, um dos principais pontos de interrogação é a capacidade dos demais candidatos de romper a concentração do eleitorado em torno dos dois polos.
“Eu não sei se isso acontecerá no presente momento”, disse.
Na avaliação do ex-presidente, a disputa ainda poderá apresentar mudanças, mas os demais concorrentes terão o desafio de romper o que classificou como uma “estratificação” do eleitorado.
“Eu não sei se os demais candidatos […] conseguem furar essa estratificação”, afirmou.