A Acadêmicos de Niterói, escola de samba que contou a história do presidente Lula no desfile deste ano, foi rebaixada para a Série Ouro do carnaval carioca. A escola, que recebeu apenas duas notas 10 durante a apuração, foi a última colocada, com 264,6 pontos, atrás da Mocidade Independente de Padre Miguel.
O enredo escolhido pela Acadêmicos de Niterói foi “Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”. O tema gerou críticas e tentativas de intervenção judicial de opositores de Lula, que argumentavam que o desfile se enquadraria como propaganda eleitoral antecipada.
O presidente não se envolveu diretamente no desenvolvimento da apresentação e não desfilou pela escola, mas se encontrou anteriormente com representantes da Acadêmicos de Niterói e esteve na Sapucaí na noite de domingo (15) para segunda (16).
Ele acompanhou o desfile de um camarote cedido pela Prefeitura do Rio de Janeiro, ao lado do prefeito Eduardo Paes (PSD), seu aliado, da primeira-dama, Janja da Silva, e de ministros e outros aliados.
A Acadêmicos de Niterói havia vencido a Série Ouro do carnaval em 2025 e, por isso, desfilou no Grupo Especial este ano, mas agora voltará à liga anterior. É comum que escolas promovidas voltem a ser rebaixadas no ano seguinte.
Além das questões políticas, o desfile da escola que homenageou Lula teve falhas técnicas. Analistas apontaram problemas também em diferentes quesitos de avaliação.
Desfile
O desfile da Acadêmicos de Niterói foi fortemente marcado por críticas políticas a opositores de Lula. O ex-presidente Jair Bolsonaro, por exemplo, foi retratado pela escola como um palhaço.
Além dele, Michel Temer também apareceu, em uma representação do ex-presidente arrancando a faixa presidencial de uma mulher que seria a também ex-presidente Dilma Rousseff.
Outro ponto polêmico do desfile foi a representação de evangélicos em latas de conserva, o que motivou uma ação da OAB-RJ por intolerância religiosa.