O senador e pré-candidato à reeleição Ângelo Coronel (Republicanos) afirmou nesta segunda-feira (8), durante entrevista à rádio Salvador FM, que sua saída do PSD ocorreu de forma traumática e sem qualquer tentativa de construção de entendimento entre as partes. Segundo ele, o rompimento foi resultado de um desgaste político que já vinha se acumulando dentro do partido.
Coronel revelou que já existia insatisfação mútua entre ele e setores da legenda, especialmente após o PSD ficar sem representação na chapa majoritária governista, apesar de ser, segundo destacou, o maior partido da Bahia.
“Eu imaginava que o partido continuaria bancando a candidatura de um membro do PSD para compor a chapa majoritária. O PSD não indicou ninguém, nem Ângelo Coronel, nem qualquer outro membro do partido. Fiquei sem entender como o maior partido do estado da Bahia não tinha nenhum representante na chapa”, afirmou.
O senador disse que, paralelamente ao desgaste interno, mantinha conversas frequentes com o grupo liderado por ACM Neto e que sua futura migração política não era desconhecida pelos aliados do governo.
“Essa chegada ao grupo de Neto não foi surpresa. Era uma negociação que já vinha acontecendo há cerca de um ano. O próprio PT sabia disso e chegou a me criticar porque eu não participava de alguns atos da campanha de Jerônimo”, declarou.
Apesar de admitir que já avaliava deixar o PSD, Coronel afirmou que foi surpreendido pela forma como seu desligamento aconteceu. Segundo ele, não houve diálogo nem tentativa de pacificação antes do anúncio.
“Não imaginava que a saída seria daquela maneira. Foi uma saída nevrálgica, sem conversar, sem pacificar. Uma saída muito sangrenta, no jargão político”, disse.
O parlamentar contou ainda que estava fora do Brasil quando tomou conhecimento da decisão.
“Eu estava viajando quando ouvi pela rádio a minha defenestração do PSD. Tomei um susto. Pensei até que fosse o fuso horário me confundindo, mas era verdade. Foi praticamente uma expulsão”, relatou.