“Me desculpe, Eduardo Paes, mas agora sou filha da melhor cidade do Brasil”, diz carioca Luisi Valadão ao receber cidadania soteropolitana

Foto: Divulgação
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Carioca de nascimento e baiana de coração, Luisi Valadão fez questão, já nas primeiras palavras do discurso, de pedir licença à própria certidão de nascimento. "Espero que minha certidão de nascimento me perdoe, mas o coração, há muito tempo, já tinha providenciado outro registro", afirmou, arrancando aplausos dos presentes na sessão de entrega do Título de Cidadã de Salvador, na tarde de terça-feira (25), no Centro de Cultura do Poder Legislativo soteropolitano. 

O primeiro contato com a Bahia aconteceu no início dos anos 2000. O que começou como uma viagem, segundo ela própria, foi, na verdade, um encontro. "Eu já era apaixonada pela música e pela cultura baiana. Já havia sido tocada, de longe, por essa terra através de seus artistas, de seus sons, de suas histórias", disse. "Mas uma coisa é conhecer a Bahia através da música. Outra coisa é estar aqui e permitir que ela aconteça diante de você."

Durante a sessão, Luisi Valadão recebeu uma homenagem em vídeo do cantor e compositor Carlinhos Brown, nome citado por ela no discurso como um dos símbolos da potência cultural da cidade. No texto, ela descreveu Brown como o artista que "fez do tambor linguagem, movimento, comunidade e invenção". A presença simbólica do musicianário ganhou peso ainda maior diante das palavras da homenageada sobre os tambores baianos: "aqui parece saber coisas que a palavra ainda não conseguiu explicar".

Ao longo do discurso, Luisi destacou uma constelação de nomes da cultura baiana que ajudaram a moldar sua relação com a cidade. “de Mãe Menininha do Gantois, a Jorge Amado, de Maria Bethânia a Gilberto Gil e Caetano Veloso, passando por Pitty e pelas novas vozes femininas como Melly e Cacá Magalhães”, listou Luisi.

"A Bahia cura"

Se há um trecho que sintetiza a relação de Luisi com a capital baiana, é a recomendação que ela diz fazer aos amigos: "Está bem? Vá para a Bahia. Está mal? Vá para a Bahia. Está triste? Vá para a Bahia. Está feliz? Vá para a Bahia. Na dúvida, vá para a Bahia". Para ela, há "alguma coisa aqui que reorganiza a gente por dentro". E arrisca uma explicação: "Talvez seja o mar, talvez seja o dendê, talvez seja a fé. Talvez seja o tambor".

A homenageada também abordou com profundidade a dimensão espiritual da cidade. Contou que sua relação com o Candomblé ganhou outro corpo a partir da Bahia. "Não porque tenha começado aqui, mas porque aqui ela se aprofundou, ganhou corpo, referência, pertencimento e presença", destacou a homenageada.

*Trabalho como forma de retribuição*

Além da dimensão afetiva, Luisi Valadão destacou o elo profissional construído com a cidade. Empresária do setor cultural, ela atua na divulgação de artistas e projetos baianos, com o que define como "empenho, determinação e, sobretudo, respeito". Para ela, comunicar a cultura soteropolitana"é ajudar a ampliar o alcance de vozes que merecem ser ouvidas. É fazer uma criação nascida aqui atravessar fronteiras".

Entre os projetos citados, destacou o Artivismo, conferência realizada no ano passado em Salvador, que reuniu arte, ativismo, pensamento e cultura. "Enquanto pessoas se encontravam em Salvador para discutir o mundo, nós tínhamos também a missão de fazer o mundo olhar para Salvador", disse. Citou ainda a parceria com Mano Góes em trabalhos ligados à Orquestra Sinfônica da Bahia (OSBA) e a colaboração com artistas como Ayrson Heráclito.

Luisi Valadão encerrou o discurso com a imagem que, segundo ela, melhor explica o vínculo: o momento em que o avião começa a descer sobre a Baía de Todos-os-Santos e algo dentro dela diz "cheguei". "Não apenas à cidade que escolhi amar. Mas à cidade que, ao longo de tantos anos, também escolheu me acolher. Cheguei à minha Salvador", disse.

E foi nesse tom que ela se dirigiu, com bom humor, ao prefeito carioca: "Desculpe, Eduardo Paes, mas agora sou filha da melhor cidade de todo o Brasil".

Ao vereador Daniel Alves, proponente da honraria, Luisi deixou um agradecimento especial. "Por representar a Mesa Executiva desta Casa nesta Sessão Solene". E à Câmara Municipal, o reconhecimento por ter colocado no papel "uma história que meu coração começou a escrever há mais de duas décadas".

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