O senador Jaques Wagner (PT-BA) reconheceu, nesta segunda-feira (8), que a concessão das rodovias federais BR-116 e BR-324 à ViaBahia foi um erro de modelagem e avaliação. Em entrevista, o petista afirmou que o resultado da concessão “não foi bom” e que o processo poderia ter sido conduzido de outra forma.
“O resultado não foi bom, então foi um erro. Quer dizer, foi mal feita”, declarou Wagner, ao ser questionado se o PT havia errado ao conduzir a concessão.
O senador lembrou que, à época, recebeu alertas de operadores do setor rodoviário sobre a proposta apresentada pela empresa vencedora. Segundo Wagner, havia preocupação de que o valor ofertado pela concessionária não fosse suficiente para garantir a execução dos investimentos previstos no contrato.
“Eu me lembro que na época eu fui alertado por várias pessoas. Vários operadores de estrada me disseram: ‘Wagner, governador, o preço que esse cara que ganhou está botando, ele não vai executar’”, relatou.
Na avaliação do senador, a empresa teria adotado uma estratégia agressiva para vencer a disputa, oferecendo um valor considerado muito baixo, mas sem conseguir posteriormente sustentar as obrigações previstas na concessão.
“O cara, para ganhar a concessão, mergulhou o preço e depois não sustentou”, afirmou.
Wagner ponderou que a decisão ocorreu em um contexto no qual havia forte pressão por tarifas menores e maior competitividade nas concessões. Para ele, uma proposta mais cara poderia ter provocado reação negativa à época.
“Poderiam não ter tido o resultado daquela concessão e ter feito outra. Mas aí foi uma coisa anterior. Se a gente também fosse fazer uma nova concessão e saísse mais caro, todo mundo ia descer a madeira”, disse.
O senador resumiu sua avaliação com uma crítica ao princípio de buscar necessariamente a menor proposta: “Nem sempre o barato é o melhor. Às vezes você compra mais barato e o produto é uma porcaria”.
A declaração ocorre em meio ao histórico de controvérsias envolvendo a ViaBahia e as condições de conservação, manutenção e investimentos nas duas principais rodovias federais que cortam a Bahia. A concessão foi posteriormente encerrada, após anos de conflitos relacionados ao cumprimento das obrigações contratuais.
Reconhecimento
A fala de Wagner representa uma admissão pública de que houve falhas na estruturação da concessão. Embora ressalte que a decisão ocorreu em outro contexto e que havia pressão por preços menores, o senador reconhece que o modelo adotado não produziu o resultado esperado para os usuários das rodovias.
Para Wagner, a experiência deixa uma lição para futuras concessões: o menor preço não deve ser o único critério para definir a empresa responsável pela prestação de um serviço de longo prazo.