O senador Flávio Bolsonaro (PL) divulgou, nesta quarta-feira (28), uma carta dirigida ao povo brasileiro e à comunidade internacional na qual se autodeclara “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Derrotado na disputa presidencial pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio afirma estar nos Estados Unidos e acusa adversários políticos de cometer fraude eleitoral.
“Eu sou o presidente eleito e os criminosos que roubaram a eleição do Brasil são parte de uma organização criminosa que implementou uma tirania. Vocês que almejavam a mudança, e eu não vou abandoná-los, eu serei a voz e a liderança livre da nossa nação”, escreveu.
Na carta, o senador afirma que pretende se dirigir regularmente aos brasileiros nos próximos dias e apresentar uma estratégia para mobilizar a oposição. Segundo ele, a iniciativa buscará apoio popular por “todos os meios pacíficos e legítimos” para impedir que Lula, em sua avaliação, consolide um regime ditatorial no país.
Flávio Bolsonaro acusa instituições brasileiras
O senador também direcionou críticas às instituições brasileiras e pediu o fim do que chamou de “caos jurídico”, corrupção e perseguição política. À comunidade internacional, solicitou que os países não “normalizem o que está acontecendo no Brasil”.
Ao tratar da disputa pelo comando do Senado Federal, Flávio apontou o senador Rogério Marinho (PL-RN) como candidato da oposição à presidência da Casa. “Liderarei a oposição daqui. Direi o que vocês, aí, não podem dizer, e assumirei os riscos que vocês não podem correr”, escreveu.
Senador alega abuso de poder na eleição
Na carta, Flávio se declarou “estarrecido” com o resultado das eleições e voltou a classificar o pleito como uma “fraude eleitoral”. Ele também alegou que houve abuso de poder político e econômico e uso da máquina pública em favor da reeleição de Lula.
“Ao longo de toda a campanha, houve abuso de poder político, econômico e uso da máquina pública em favor da reeleição. São fatos graves, expressamente vedados por lei, que justificam a cassação da chapa Lula-Alckmin”, argumentou.
O senador não apresentou, nos trechos citados da carta, elementos que comprovem as acusações. Sua declaração de que seria o presidente eleito não modifica o resultado oficial das eleições.
Flávio também se comparou a exilados e perseguidos políticos que lideraram movimentos de resistência em diferentes períodos históricos. Entre os nomes mencionados estão Rui Barbosa, Charles de Gaulle, José Martí, Juan Guaidó, Edmundo González e María Corina Machado.
Agradecimentos a Trump e Milei
Ao final da carta, o senador agradeceu aos presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da Argentina, Javier Milei, pelo acolhimento.
“Essa é uma terra de liberdades e irmãos que comungam dos mesmos valores das boas pessoas do meu país”, escreveu.