Direto de Brasília: "O país não vai quebrar por menos quatro horas semanais", afirma Ricardo Maia ao defender fim da escala 6x1

Foto: Divulgação
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O deputado federal Ricardo Maia (MDB-BA) defendeu de forma contundente a aprovação célere da redução da jornada de trabalho e cravou que o projeto será votado na Câmara dos Deputados ainda este ano, antes do período eleitoral. Integrante da comissão especial que analisa a matéria, o parlamentar minimizou os discursos alarmistas do setor produtivo e sustentou que a mudança para o modelo 5x2 trará benefícios não apenas para a saúde mental do trabalhador, mas também para a economia através do consumo.

Ao contrário de colegas de bancada que sugeriram empurrar a discussão para depois das urnas, Maia garantiu que a pauta caminha a passos largos sob a condução das lideranças em Brasília.

"A escala 6x1 será votada este ano, antes das eleições. Isso aí eu não tenho dúvida. É prioridade aqui do presidente Hugo Motta. Eu faço parte da comissão especial, já tivemos audiência pública ontem, já tivemos hoje", revelou o deputado nesta quarta-feira (20).

O impacto nas grandes cidades e a justiça social

O emedebista buscou desmistificar o tamanho da alteração na rotina das empresas, explicando que o ajuste prático foca na redução de uma carga horária residual para viabilizar o segundo dia integral de folga, algo que considera crucial para quem enfrenta a realidade do transporte público nas metrópoles.

"Se fala muito em diminuir mais um dia de trabalho. Não é exatamente um dia de trabalho. São quatro horas de trabalho que vão se diminuir. E aqui é onde eu acredito que esse país não irá quebrar, que esse país não irá à falência (...). A gente mora no interior e não sente muito, mas o cabra que mora em Salvador, mora em São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, que tem que pegar três conduções para chegar no trabalho e mais três para chegar na sua residência... Geralmente ele tem ali um convívio de quatro horas dentro de casa. Então isso não é justo", defendeu.

Maia também rebateu a disparidade de tratamento dada aos servidores públicos e aos trabalhadores regidos pela CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), criticando a resistência do patronato. "Quando você fala do ente público, já é 30, 40 horas há décadas. Aí quando você fala do trabalhador CLT, porque o patrão tem a questão financeira, aí você não vai diminuir? Não, isso está errado", disparou.

Estímulo ao consumo e rejeição a prazos longos

O parlamentar apresentou um argumento econômico a favor da folga dupla, pontuando que o tempo livre se converte em circulação de dinheiro no comércio e no lazer. Além disso, ele se posicionou firmemente contra as emendas de transição que tentam adiar a aplicação da lei por até uma década.

"Não acredito que o problema desse país seja diminuir quatro horas de jornada. Essas pessoas não ficarão em casa. Vão sair com a família, vão ao shopping, fazer atividades e vão consumir. Tem deles aí colocando para ter validade daqui a dez anos. Nós precisamos é para já. Nós precisamos de saúde mental para as pessoas, das pessoas mais motivadas", cobrou.

Ao encerrar, Ricardo Maia mandou um recado direto aos parlamentares que hesitam em apoiar a medida por receio de contrariar o empresariado. "Eu não acredito que um parlamentar venha ao Parlamento votar contra o trabalhador, porque nós aqui representamos o trabalhador", concluiu o deputado baiano.

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