O deputado federal e ex-prefeito de Guanambi, Charles Fernandes (PSD-BA), adotou uma postura de cautela e profundo respeito institucional ao projetar o cenário político para a sucessão estadual. Em entrevista à imprensa baiana nesta quarta-feira (20), na Câmara dos Deputados, em Brasília, o parlamentar rejeitou o clima de "já ganhou" e previu que o real termômetro do embate entre o governador Jerônimo Rodrigues (PT) e o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União) só começará a ser medido após os festejos juninos.
Ao ser questionado sobre o favoritismo na disputa pelo Palácio de Ondina, Fernandes recorreu à sua própria trajetória eleitoral nas urnas para defender que o favoritismo absoluto é uma ilusão antes da hora.
"Não pode dizer que ninguém ganha eleição a esta hora. Toda eleição é uma disputa. Se eu soubesse que ia perder a eleição, eu não iria disputar. Se eu soubesse que eu iria ganhar, eu ficaria numa rede em casa, sentado ou deitado. Então, toda eleição é disputada e nós estamos começando o processo agora", ponderou de forma pragmática.
Calendário junino como divisor de águas
Para o parlamentar social-democrata, o debate público atual ainda se encontra em fase de bastidores e articulações partidárias. O cenário eleitoral baiano deverá ganhar contornos definitivos de polarização e debates programáticos no campo das ideias após o período das festas tradicionais do estado.
"As eleições, a partir do mês de junho — eu diria depois do São João —, é que as coisas realmente vão para o enfrentamento. Mas não existe eleição fácil. Eu acho que há uma eleição a ser disputada na Bahia, nós temos que respeitar qualquer que seja o adversário, seja ele adversário, seja ele candidato. É assim que eu sempre tratei enquanto fui prefeito algumas vezes e enquanto deputado: sempre respeitei o adversário", relembrou.
Charles Fernandes concluiu destacando que o papel dos dois principais blocos políticos nos próximos meses será o de convencer o eleitorado com propostas estruturantes para o futuro do estado, cabendo de forma soberana à população o veredito final. "Na eleição, nós temos cada um de apresentar os seus projetos, e o eleitor, o povo baiano, é que vai decidir o que quer para a Bahia. Se é continuar com o governador Jerônimo Rodrigues ou se é fazer outra alternativa. Essa é a decisão do povo baiano que acontecerá aí no próximo dia 4 de outubro", finalizou.