O deputado federal Ricardo Maia (MDB-BA) usou de forte ironia e autocrítica ao cobrar coerência dos colegas de Parlamento na discussão sobre o fim da jornada de trabalho na escala 6x1. Em entrevista à imprensa baiana nesta quarta-feira (20), nos corredores da Câmara dos Deputados, o parlamentar saiu em defesa dos trabalhadores de baixa renda e sugeriu que o Congresso Nacional deveria adotar o sistema de banco de horas para monitorar a assiduidade dos próprios deputados antes de impor barreiras à proposta.
"Se for para colocar, como disseram aqui, a questão para o trabalhador de banco de horas, eu mesmo sou a favor que bote banco de horas aqui para os deputados. Os deputados federais mostrarem quanto tempo de trabalho eles trabalham", disparou o emedebista, expondo a disparidade entre a rotina do Legislativo e a da classe trabalhadora.
Maia não poupou críticas ao absenteísmo em Brasília e apontou que a facilidade do registro de presença remoto, por meio do aplicativo da Casa, esvazia o debate presencial no plenário.
"Nós só trabalhamos três dias na semana e muitos deles, muitos deles, chegam e votam no InfoLeg dentro de casa, que nem aparecem aqui no plenário. Você vai no plenário, pode ir a qualquer hora no plenário, o plenário está esvaziado", criticou o deputado baiano.
Para o parlamentar do MDB, o Congresso tem a obrigação moral de aprovar a redução da jornada, considerando o desgaste diário enfrentado por quem recebe os pisos salariais mais baixos do mercado e depende do transporte público precário nas grandes cidades. "Não é justo para o trabalhador agora pegar três conduções, ganhar um salário mínimo de R$ 1.600 e nós, parlamentares aqui, sermos contra", concluiu Ricardo Maia.