Wagner rebate especulações sobre articulação em votação do STF e diz que “houve traição” no voto secreto

Foto: Divulgação
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O senador Jaques Wagner rebateu, nesta quinta-feira (7), especulações sobre uma suposta articulação política durante a votação da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal e afirmou que “houve traição” no processo conduzido em voto secreto no Senado.

Ao comentar rumores envolvendo uma conversa com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, Wagner negou qualquer relação com interpretações feitas por leitura labial e explicou que o diálogo ocorreu momentos antes da abertura do painel de votação.

“Quando subi para a mesa para falar com o Davi, é porque praticamente todo mundo nosso já tinha votado. Eu fui pedir a ele para abrir o painel e perguntei qual era o placar que ele achava. Na minha cabeça, o placar seria 43 para nós”, afirmou.

Segundo Wagner, Alcolumbre teria alertado que o governo seria derrotado. “Para minha surpresa, ele antes de abrir o painel disse: ‘Vocês vão perder por 8’. Essa sim foi vazada e essa é verdade. Nós perdemos por 7”, declarou o senador.

O líder do governo no Senado também comentou o desgaste provocado pela escolha de Jorge Messias para a vaga no STF. Wagner revelou que sua relação com Alcolumbre ficou estremecida durante o processo, já que o presidente do Senado defendia outro nome para a Corte.

“Todo mundo sabe que minha relação com o Davi Alcolumbre ficou muito estremecida quando da escolha do presidente. O presidente da Casa era torcedor do Rodrigo Pacheco para o Supremo”, disse.

Apesar disso, Wagner ressaltou que, como líder do governo, sua obrigação era defender a indicação feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Minha obrigação como líder do governo é pegar a escolha do presidente, que é direito dele, e trazer para sabatina”, afirmou.

O senador criticou ainda o que classificou como uso político da sabatina no Senado. Segundo ele, a discussão deixou de avaliar os critérios técnicos do indicado e se transformou em disputa política.

“Muita gente usou esse momento da sabatina, que não é para aprovar ou reprovar a indicação, mas para saber se o indicado tem aquilo que é exigido para sentar numa cadeira do Supremo. O pessoal resolveu fazer política na sabatina”, declarou.

Wagner também lamentou o impacto da derrota sobre Jorge Messias e afirmou que o episódio foi motivado pelo ambiente pré-eleitoral.

“No voto secreto, realmente o pessoal traiu e para mim é uma tristeza, porque machucaram um jovem, Jorge Messias, que não merecia nada disso, por conta de uma briga pré-eleitoral em função das eleições”, afirmou.

Durante a entrevista, o senador defendeu o diálogo político e criticou a polarização no país. “Democracia é espaço de diálogo. Se minha ideia é melhor, cabe a mim convencer o outro que a minha ideia é melhor”, disse.

Wagner afirmou ainda que conversou com o presidente Lula após a votação e disse estar tranquilo com sua atuação. “Falei com o presidente Lula ontem, daqui da China. Estou muito tranquilo com a minha consciência e com o trabalho que eu fiz”, concluiu.

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