“Toda escrita que forma uma narrativa é válida”, afirma curador da Geração Flica

Foto: Divulgação
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O curador do espaço Geração Flica, Deco Lipe, defendeu a ampliação do conceito de literatura para incluir as diferentes formas de escrita e produção de narrativas desenvolvidas nas redes sociais. A proposta orientou a programação da tenda jovem na edição 2026 da Festa Literária Internacional de Cachoeira (Flica), no Recôncavo Baiano.

Em conversa com o Política ao Ponto, no Cine Teatro Cachoeirano, o escritor explicou a escolha dos influenciadores Rick Bandeira e Laiane Beberes para a mesa “Rindo na cara do algoritmo”. Segundo ele, a proposta foi reconhecer a linguagem utilizada na internet como uma forma de expressão literária, para além dos modelos tradicionalmente associados à escrita.

“Foi justamente buscando trazer pessoas que têm um trabalho com escrita de uma outra forma. Porque a gente trata a literatura como uma escrita que é mais formal, que é dentro de uma caixinha. Sendo que eu acredito que toda escrita que forma uma narrativa é válida e também é uma forma de consumir literatura”, afirmou Deco Lipe.

O curador também destacou a participação dos influenciadores como uma estratégia para aproximar o festival de um público jovem que, segundo ele, possivelmente não frequentaria a programação literária. A presença dos criadores de conteúdo, que já mantêm contato com esse público pelas redes sociais, foi pensada para estimular a participação de novos visitantes na Flica.

“O público deles, que possivelmente não seria um público que viria à Flica, veio à Flica e visitou uma festa literária. A ideia foi justamente a gente brincar nesse lugar, dialogar nesse lugar do humor, que também é uma forma de fazer literatura”, declarou.

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