A segurança pública se consolidou como o principal desafio do governo Jerônimo Rodrigues (PT) na avaliação dos baianos. É o que aponta a pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (29), que revela um aumento da insatisfação da população com a atuação do Estado no combate à violência, colocando o tema no centro da disputa pelo Palácio de Ondina em 2026.
Segundo o levantamento, 47% dos entrevistados avaliam negativamente a condução da segurança pública pela atual gestão. Outros 27% classificam a atuação como positiva, enquanto 26% a consideram regular. A saúde aparece como o segundo setor com maior índice de reprovação, registrando 39% de avaliação negativa.
Os números também mostram uma piora na percepção dos baianos em relação ao tema. Em fevereiro de 2025, a reprovação da segurança pública era de 39%. Agora, o índice subiu para 47%. No mesmo período, a avaliação positiva caiu de 33% para 27%.
O cenário acompanha indicadores nacionais que colocam a Bahia entre os estados mais afetados pela violência. De acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, o estado liderou o país em número absoluto de mortes violentas intencionais (MVI), com 5.473 registros em 2025. O estudo ainda aponta que Eunápolis, Porto Seguro, Simões Filho, Jequié e Juazeiro figuram entre os dez municípios mais violentos do Brasil.
Outro levantamento, o Atlas da Violência 2026, também destaca a Bahia em indicadores de homicídios. O estado aparece na liderança nacional em assassinatos de pessoas negras, crianças, jovens e mulheres. Em 2024, foram contabilizados 5.639 homicídios de pessoas negras, além de 48 crianças entre 5 e 14 anos assassinadas, 3.440 jovens de 15 a 29 anos mortos e 414 mulheres vítimas de homicídio — os maiores números absolutos do país.
Com a segurança pública dominando o debate eleitoral, o candidato do União Brasil ao Governo da Bahia, ACM Neto, voltou a defender propostas para o setor. Entre elas, estão a criação da Governadoria da Segurança Pública, estrutura que prevê participação direta do governador no monitoramento das ações integradas das forças policiais.
O ex-prefeito de Salvador também propõe reajuste na remuneração dos profissionais da segurança, maior rigor no controle do sistema prisional para enfrentar facções criminosas e ampliação de políticas voltadas à juventude, com foco em qualificação profissional e geração de oportunidades de emprego.