Uma auditoria interna da Secretaria Municipal da Fazenda (Sefaz) levou a Prefeitura de Salvador a comunicar às autoridades suspeitas de manipulação no cadastro de imóveis da capital. A denúncia deu origem à investigação que resultou, nesta quinta-feira (17), na Operação Valor Venal, da Polícia Civil da Bahia, com quatro prisões de suspeitos de envolvimento no esquema.
Ao comentar a operação, o prefeito Bruno Reis (União Brasil) afirmou que a administração municipal identificou as irregularidades e decidiu procurar a polícia para aprofundar as apurações.
“Nós identificamos essas fraudes, procuramos a polícia, nós que denunciamos à polícia. Pedimos que eles investigassem”, declarou o prefeito.
A investigação apura alterações cadastrais que teriam reduzido ilegalmente o valor venal de imóveis e, consequentemente, o valor do IPTU cobrado. Segundo as informações divulgadas sobre a operação, quase 700 imóveis foram atingidos pelas mudanças, com reduções que poderiam chegar a 90% em alguns casos.
A Polícia Civil cumpriu mandados de prisão e de busca e apreensão, além de medidas de afastamento de servidores e bloqueio de bens e valores de até R$ 20 milhões. Entre os presos estão dois despachantes, uma consultora e uma ex-servidora terceirizada da Sefaz.
Bruno Reis afirmou ainda que a Prefeitura tem colaborado com as autoridades responsáveis pela investigação e defendeu a responsabilização dos envolvidos, caso as suspeitas sejam confirmadas.
“Demos todas as contribuições, e quem tem culpa no cartório agora está sendo responsabilizado. Espero que todos os responsáveis sejam devidamente punidos”, disse.
A Sefaz informou que, além da comunicação às autoridades policiais, instaurou uma sindicância para apurar internamente as ocorrências e identificar eventuais responsabilidades administrativas.
A Operação Valor Venal continua em andamento, e os suspeitos são investigados pelas possíveis fraudes. As acusações ainda serão submetidas ao devido processo legal.