Iniciativa da Brazil Iron, em parceria com a CBPM, envolve municípios da Chapada Diamantina e está em fase de estudos e licenciamento
O Governo da Bahia discutiu, na Casa Civil, os próximos passos do Projeto Ferro Verde, empreendimento desenvolvido pela Brazil Iron em parceria com a Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM). A iniciativa está relacionada à produção e ao beneficiamento de minério de ferro na região da Chapada Diamantina, com áreas nos municípios de Piatã, Abaíra e Jussiape.
A agenda reuniu nesta quinta-feira, 24, representantes do governo estadual, da CBPM, do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (INEMA), da Bahia Invest e da Brazil Iron. O projeto prevê uma cadeia integrada de produção de minério de ferro e produtos destinados à indústria siderúrgica de baixo carbono. Segundo informações divulgadas pela empresa, o empreendimento tem investimento estimado em US$ 5,7 bilhões.
A discussão ocorre em um momento em que o projeto passa por etapas de estudos e licenciamento ambiental. Informações disponibilizadas sobre o processo indicam que a participação das comunidades e a análise técnica do INEMA fazem parte das próximas etapas.
CBPM defende desenvolvimento com inclusão social
Presidente da CBPM, Henrique Carballal afirmou que o governo estadual trabalha para que o empreendimento esteja associado à geração de emprego e renda, à participação das comunidades e à preservação ambiental.
“Nós estamos aqui porque o Governo do Estado da Bahia está envolvido e comprometido com o desenvolvimento da mineração na região. Uma mineração que, em primeiro lugar, deve ser inclusiva, ou seja, deve incluir as pessoas e garantir o desenvolvimento social para toda a região. Também deve ser sustentável, respeitar a legislação e garantir a preservação do ambiente.”
Carballal destacou ainda a participação da CBPM na construção do projeto e afirmou que a companhia vem trabalhando há cerca de dois anos na adequação da iniciativa.
“É essa a lógica que a CBPM, em parceria com a Brazil Iron, vai desenvolver nesse grande projeto que pode trazer desenvolvimento para a Bahia. Estamos aqui para garantir ao povo da região que o projeto seja adequado aos princípios legais e, acima de tudo, tenha objetivos concretos de desenvolvimento social.”
A parceria entre CBPM e Brazil Iron foi formalizada para apoiar o avanço do empreendimento, incluindo aspectos regulatórios e o relacionamento com as comunidades.
Governo fala em agregar valor ao minério
O secretário da Casa Civil, Eracy Lafuente, afirmou que a proposta em discussão vai além da simples extração do minério. Segundo ele, a intenção é estruturar uma cadeia produtiva capaz de gerar empregos também em áreas técnicas e industriais.
“Nós modificamos, junto com o empreendedor, um conceito apenas de extração. Estamos levando para a comunidade uma ideia muito mais forte, pujante, que é a geração de renda e trabalho não só do ponto de vista operacional, mas também de inteligência, que necessitará muito de engenheiros químicos, engenheiros mecânicos e técnicos.”
Lafuente explicou que o projeto discutido atualmente contempla uma estrutura mais ampla de beneficiamento e transformação do minério.
“Nós não estamos mais falando apenas de uma planta de extração de minério de ferro que sai em formato de commodity. Estamos falando de um grande complexo, inclusive numa fase posterior, em que podemos falar da transformação desse minério em aço.”
De acordo com informações divulgadas pela Brazil Iron, o Projeto Ferro Verde prevê uma operação integrada envolvendo concentrado de minério de ferro, pelotas e ferro briquetado a quente (HBI), com utilização de energia renovável e tecnologias voltadas à redução das emissões.
O secretário também destacou a expectativa de ampliar o diálogo com as populações dos municípios envolvidos.
“Estamos numa fase de finalizar os estudos para que vocês possam receber a notícia, em algum momento ainda neste ano, para que possamos chamar as comunidades para a participação pública. Queremos que esse empreendimento não seja algo muito distante, mas seja próximo, dê valor agregado, crie renda e gere um novo desenvolvimento associado à preservação ambiental.”
INEMA aponta necessidade de equilíbrio socioambiental
O diretor-geral do INEMA, Eduardo Topázio, ressaltou que a atuação do órgão está relacionada à análise dos aspectos ambientais do empreendimento.
“O Estado trabalha justamente para trazer benefícios sociais, buscando sempre um equilíbrio socioambiental. O INEMA está aqui justamente para que ocorra esse investimento, que é essencial para o Estado, e que ele possa ter um impacto positivo para a sociedade dessas regiões.”