"Precisamos identificar aqueles municípios que realmente não têm condições de enfrentar sozinhos uma situação dessa dimensão”, diz presidente da UPB, Wilson Cardoso, sobre os efeitos do El Niño na Bahia

Foto: Divulgação
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A União dos Municípios da Bahia (UPB) reuniu, nesta quarta-feira (23), representantes das Defesas Civis Nacional e Estadual e Corpo de Bombeiros para alinhar ações de prevenção aos efeitos do fenômeno El Niño, que pode provocar a estiagem prolongada e as queimadas no estado nos próximos meses. A entidade municipalista apresentou um levantamento feito com as prefeituras sobre as principais demandas para que os esforços sejam direcionados ao apoio daqueles municípios que apresentam maior vulnerabilidade e menor capacidade financeira.


A UPB propôs o cruzamento entre área territorial, população e receitas do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) e ICMS para identificar municípios que terão maiores dificuldades para responder à emergência com recursos próprios. “Não podemos olhar todos os municípios da mesma forma. Precisamos identificar aqueles que realmente não têm condições de enfrentar sozinhos uma situação dessa dimensão”, afirmou o presidente da UPB, Wilson Cardoso, ao ressaltar que será necessário uma “operação de guerra” nos próximos 120 dias, quando os efeitos do El Niño serão sentidos fortemente.


A proposta da entidade municipalista é utilizar os dados apresentados como instrumento de planejamento para que os governos estadual e federal possam estabelecer prioridades. O gestor também alertou para a preocupação em dar suporte aos pequenos produtores rurais, que possuem menor capacidade financeira para enfrentar os efeitos prolongados da seca. “Quando o pequeno produtor perde seus animais, ele não perde apenas o rebanho. Ele perde a renda, a segurança e, muitas vezes, o patrimônio que levou uma vida inteira para construir. Precisamos chegar antes”, defendeu.


Outro ponto levantado durante a reunião foi a necessidade de envolver as concessionárias de energia elétrica Neoenergia Coelba nas estratégias de prevenção. A preocupação está relacionada à possibilidade de falhas e problemas em redes de distribuição contribuírem para o início de incêndios, especialmente em áreas rurais. Wilson Cardoso defendeu que a concessionária responsável pela distribuição de energia seja chamada para discutir a manutenção preventiva das redes e a responsabilidade por eventuais ocorrências provocadas por problemas na infraestrutura.


O Diretor do Departamento de Preparação e Socorro da Defesa Civil Nacional, Armin Braun, destacou a importância de aproximar as políticas federais da realidade vivida nos municípios brasileiros. Segundo ele, o modelo federativo brasileiro exige uma atuação articulada entre União, estados e municípios. “Esse enfrentamento precisa ser feito de forma conjunta para poder dar alívio a população. Agradeço a UPB por nos mostrar a realidade dos municípios. O período é muito crítico, mas o trabalho será feito muito próximo da população com a Defesa Civil Nacional, a Defesa Civil do Estado e os municípios, para que a gente possa, de fato, dar celeridade para minimizar os efeitos do El Niño”, reforçou.


O comandante do Corpo de Bombeiros da Bahia, Coronel Aloísio Mascarenhas, apresentou o planejamento para o período de incêndios florestais e afirmou que a operação foi antecipada este ano diante das condições climáticas previstas. Em 86 dias de operação, já foram registrados 661 focos de incêndios, com atendimento em 95 municípios. Segundo o comandante, o efetivo dedicado exclusivamente aos incêndios florestais conta com 176 bombeiros, com previsão de ampliação nos próximos meses. Ele também reforçou a importância dos municípios manterem brigadas e fazerem ações preventivas com a realização de aceiros, que consiste na limpeza ou remoção total da vegetação em faixas de terreno para servir como barreira contra a propagação de incêndios florestais e queimadas.


Segundo o superintendente da Defesa Civil do Estado da Bahia, Osny Bomfim, em um estado de dimensões continentais e realidades tão distintas, como a Bahia, conhecer onde estão as maiores vulnerabilidades é o primeiro passo para fazer com que a ajuda chegue a quem mais precisa. O gestor destacou a iniciativa da UPB em realizar o levantamento junto aos prefeitos, uma vez que existe grande preocupação com os municípios inseridos na região do semiárido, que já convivem com a estiagem e terão desafios ainda maiores.


“Não podemos enxergar a Bahia como uma coisa só. Existem diferenças muito grandes entre municípios e entre territórios de identidade. Quanto mais precisos formos na ação do Estado e da União para cada município, melhor será o resultado”, destacou o superintendente da Defesa Civil.

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