A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (23) a Operação Miragem, que apura suspeitas de irregularidades na gestão do Banco Digimais, instituição financeira controlada pelo líder religioso Edir Macedo. A ação incluiu o cumprimento de mandados de busca e apreensão em São Paulo e o bloqueio judicial de até R$ 670 milhões em bens de investigados.
Segundo as investigações, os policiais apuram possíveis práticas de gestão fraudulenta, manipulação de demonstrações financeiras e outras operações que podem ter causado prejuízos ao sistema financeiro. A ofensiva ocorre após meses de questionamentos sobre a situação contábil e financeira do Digimais.
O banco já vinha sendo alvo de apurações relacionadas ao uso de fundos de investimento vinculados à própria instituição para transferir carteiras de crédito com altos índices de inadimplência. Documentos analisados por órgãos de controle e reportagens da imprensa apontam suspeitas de que essas operações teriam contribuído para melhorar artificialmente os resultados apresentados ao mercado.
Em abril, o banco de investimentos BTG Pactual anunciou um acordo para aquisição do Digimais, negócio que permanece sob análise dos órgãos reguladores. A investigação da Polícia Federal pode acrescentar novos elementos ao processo de avaliação da operação.
Nem o Digimais nem o BTG Pactual haviam se manifestado sobre a operação até a publicação das primeiras informações. A Polícia Federal também não divulgou os nomes dos investigados nem detalhes adicionais sobre as diligências realizadas.
A Operação Miragem ocorre em meio a uma série de questionamentos envolvendo a saúde financeira da instituição e denúncias de supostas manobras contábeis que estariam sob análise de investigadores federais.