O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), afirmou que o sucessor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não precisa necessariamente ser filiado ao Partido dos Trabalhadores. Em entrevista ao jornal O Globo, o petista defendeu que a discussão sobre a sucessão presidencial considere lideranças de um campo político mais amplo, desde que estejam alinhadas ao projeto desenvolvido pelo atual governo.
Ao comentar o assunto, Jerônimo citou o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) como exemplo de uma liderança que contribuiu para o governo federal, apesar de não integrar os quadros do PT. Para o governador, a continuidade do projeto político deve ser o principal critério na escolha de um eventual sucessor.
"Estamos vivos porque o PT passou por mudanças. Não significa excluir ninguém. É a renovação. Podemos renovar o próprio governo do presidente. Lula acena para isso e pede inovações [...] o sucessor não precisa ser necessariamente do PT. Tem que ser de um campo que conduza o que fizemos até aqui, para que o Brasil continue em boas mãos", afirmou.
O governador também destacou a necessidade de ampliar a participação de diferentes partidos na composição do governo e nas articulações com o Congresso Nacional. Segundo ele, a atuação de Alckmin demonstra que a contribuição política não depende de filiação partidária.
"O vice-presidente Geraldo Alckmin ajudou bastante e não é do PT. Lula está fazendo um movimento dentro do Congresso e vai precisar de diversos partidos. O que importa é o projeto para o país e quem está alinhado politicamente", completou.
Jerônimo ainda defendeu maior participação do Nordeste na composição do novo mandato de Lula. O governador destacou a presença de quatro governadores petistas na região e afirmou que a Bahia reúne nomes que podem contribuir com a administração federal. Ele também mencionou os cerca de seis milhões de votos recebidos pelo presidente no estado.
"O PT nacional precisa enxergar que são quatro governadores do partido, todos do Nordeste. A maior parte dos senadores também. Temos uma força para ser calibrada da forma adequada. O Nordeste precisa ser visto e pode contribuir. A Bahia tem bons nomes. Queremos dividir com Lula a responsabilidade", declarou.