O vereador Hélio Ferreira (PCdoB) voltou a criticar a Prefeitura de Salvador nesta terça-feira (27), na Câmara Municipal, ao questionar os números apresentados pela gestão para justificar a redução da circulação de ônibus no domingo (25), dia do segundo turno das eleições presidenciais.
Segundo o parlamentar, dados do próprio Procon apontaram que mais de 900 coletivos estavam retidos nas garagens das empresas. Para Ferreira, a informação contradiz a justificativa de que a presença de propaganda eleitoral em 75 veículos teria provocado problemas na operação do transporte público da capital baiana.
Vereador aponta contradição nos números
Hélio Ferreira argumentou que a quantidade de ônibus com adesivos não seria suficiente para explicar a dimensão da redução da oferta de coletivos. Na avaliação dele, a prefeitura tenta transferir a responsabilidade pelo problema.
“Um tipo de contradição é aquela que você diz: ‘Ah, foi 75 ônibus com adesivo’. Se a frota tem 1.800, se tinha, segundo o Procon, mais de 900 carros na garagem, como é que se explica que 75 ônibus é o culpado de toda a situação? São contradições querendo tirar a responsabilidade de si para jogar em cima de quem não tem culpa”, afirmou.
Sindicato nega responsabilidade pela operação
O vereador, que tem ligação com a categoria dos rodoviários, também rebateu possíveis acusações de interferência de motoristas e cobradores na liberação dos coletivos. Segundo ele, o sindicato não define as escalas de trabalho nem determina a ordem de serviço dos ônibus.
“A gente não tem acesso a escala, não somos nós que fazemos a escala dos trabalhadores e não somos nós que damos ordem de serviço. Então a gente não tem culpa nenhuma nessa situação; pelo contrário, contribuímos para colocar mais carros à tarde”, declarou.
Categoria não teria sido chamada para discutir escalas
Ferreira afirmou ainda que os representantes dos rodoviários não foram convocados pela prefeitura para planejar as escalas de folga dos trabalhadores antes do segundo turno. De acordo com ele, o sindicato só tomou conhecimento da dimensão do problema quando os passageiros já enfrentavam dificuldades nos pontos de ônibus.
O vereador comparou a situação com eleições anteriores e defendeu que a frota completa estivesse em circulação no domingo de votação.
“As outras eleições nunca tiveram isso. Infelizmente nessa aconteceu, quando se deveria estar rodando com 100% da frota no domingo”, concluiu.