O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) registrou 9,9 milhões de interações em publicações nas redes sociais na quarta-feira (7), o maior volume diário das campanhas dele e do senador Flávio Bolsonaro (PL) desde 14 de setembro. O resultado representa uma mudança no desempenho digital dos dois candidatos após o primeiro turno da eleição presidencial.
Os dados são de um levantamento do Projeto Brief, que acompanha as contas oficiais dos dois presidenciáveis. O indicador considera curtidas, comentários e compartilhamentos em publicações no Instagram, TikTok, X, YouTube e Facebook.
Em setembro, Flávio liderou o engajamento em 14 dos 17 dias analisados, com média de 370 mil interações diárias, contra 240 mil de Lula. Na sexta-feira (2), dois dias antes da votação, o senador alcançou o recorde do período, com 5,5 milhões de interações, quase quatro vezes o resultado do petista.
No domingo (4), dia do primeiro turno, Flávio somou 3,9 milhões de interações, enquanto Lula registrou cerca de 170 mil. A mudança no desempenho começou na segunda-feira (5), quando o presidente superou o adversário pela primeira vez desde o início de outubro. Na terça-feira (6), as publicações de Lula alcançaram 4,8 milhões de interações. No dia seguinte, o volume mais que dobrou.
O crescimento foi impulsionado por um vídeo publicado no Instagram do presidente, que ultrapassou 3,1 milhões de interações. Gravada com a câmera frontal do celular, a publicação mostra Lula convocando eleitores a irem às ruas e conversarem com outras pessoas. O conteúdo acumulava 26,9 milhões de visualizações.
O Instagram concentrou a maior parte do engajamento dos dois candidatos, respondendo por 86% das interações de Lula e 94% das de Flávio no período analisado. O levantamento abrange publicações feitas entre 14 de setembro e 7 de outubro nas contas oficiais dos dois presidenciáveis nas cinco plataformas digitais.
Para Carol Luck, antropóloga e coordenadora do Projeto Brief, o volume de interações ajuda a identificar a mobilização das bases eleitorais, mas não deve ser interpretado como uma medida direta da intenção de voto.
“É importante lembrar que engajamento não é voto. Ele mede a capacidade de cada campanha de fazer a própria base reagir, comentar e compartilhar. Na reta final de uma eleição, esse termômetro ajuda a entender o clima de cada lado e quem está conseguindo pautar a conversa nas redes”, afirma.