O ex-prefeito de Barreiras, Zito Barbosa (União Brasil), cobrou que o governador Jerônimo Rodrigues (PT), o ex-ministro Rui Costa (PT) e o senador Jaques Wagner (PT) apresentem respostas para a demanda de pacientes do Oeste baiano que precisam deixar o município para realizar tratamento oncológico em outras cidades. O grupo petista realiza o seu PGP em Barreiras neste final de semana.
“Eles deveriam vir a Barreiras explicar como vão resolver o problema da saúde. Não é razoável que pacientes com câncer, já fragilizados pela doença, precisem enfrentar deslocamentos longos para buscar um tratamento que deveria estar mais perto da população do Oeste”, afirmou Zito.
A declaração ocorre diante dos registros administrativos da Secretaria Municipal de Saúde de Barreiras, que apontam um volume expressivo de deslocamentos intermunicipais pelo Tratamento Fora do Domicílio (TFD). Apenas entre janeiro e fevereiro de 2026, foram registrados 2.561 deslocamentos de pacientes oncológicos regulados para unidades de referência fora do município, com despesa acumulada de R$ 673.019,05. Desse total, R$ 607.527,58 correspondem a transporte e R$ 65.491,47 a taxas administrativas.
Os dados indicam que Salvador concentra quase toda a demanda. Dos 2.561 deslocamentos registrados nos dois primeiros meses de 2026, 2.488 tiveram a capital baiana como destino, o equivalente a 97,15% do total. Também houve registros para Brasília, com 38 deslocamentos; Goiânia, com 21; e Vitória da Conquista, com oito.
O principal motivo é que a Unidade de Alta Complexidade em Oncologia (Unacon) do Hospital do Oeste, localizado em Barreiras e de responsabilidade do governo, ainda não oferta radioterapia. Com isso, todos os pacientes que necessitam desse tipo de tratamento são encaminhados para Salvador. Além disso, grande parte das quimioterapias e cirurgias oncológicas também é realizada no Hospital Aristides Maltez, na capital.
“Barreiras e todo o Oeste não podem continuar dependendo quase exclusivamente de Salvador para procedimentos fundamentais. Quando um paciente precisa sair daqui para fazer radioterapia, quimioterapia ou cirurgia, não estamos falando apenas de números. Estamos falando de gente, de famílias inteiras que passam por uma rotina pesada, cara e desgastante”, disse o ex-prefeito.
Zito lembrou que o governo prometeu inaugurar neste final de semana uma área de radioterapia do Hospital do Oeste, mas não deu detalhes sobre o funcionamento desta unidade. “Dizem que vão inaugurar esta ala de radioterapia, mas, ao mesmo tempo, entregam um micro-ônibus para transportar pacientes em radioterapia para Salvador. É uma contradição”, salientou.
A situação registrada em 2026 mantém um cenário já observado em 2025. No ano passado, o município contabilizou 17.816 passagens emitidas ao longo de 12 meses, com investimento total de R$ 4.435.035,28. A média mensal foi de aproximadamente 1.485 passagens, com gasto médio de R$ 369,5 mil por mês.
Para Zito Barbosa, os números reforçam a necessidade de uma solução estrutural para a assistência oncológica na região. “Não dá para tratar isso como uma dificuldade pontual. O município tem feito um esforço enorme para garantir os deslocamentos, mas esse modelo impõe um peso financeiro e humano muito grande. O Governo do Estado precisa dizer qual é o plano, qual é o prazo e como pretende assegurar atendimento oncológico de forma mais digna para quem vive no Oeste da Bahia”, completou.