O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), espera concluir até cerca de 10 de dezembro o planejamento das ações para os próximos quatro anos antes de decidir quem fará parte de sua equipe. A previsão foi apresentada nesta quarta-feira (28), durante entrevista ao programa Boa Noite, Bahia, da Bahia FM. Segundo o petista, as mudanças no secretariado serão avaliadas após a definição das prioridades da gestão.
Jerônimo afirmou que o governo já começou a organizar a transição, com a revisão de projetos e metas apresentados durante a campanha eleitoral. A escolha dos integrantes da equipe, explicou, será uma etapa posterior, orientada pelas necessidades identificadas nesse processo.
“Eu vou partir para os nomes. Eu daqui até lá vou desenhar. Eu não sou de dar cavalo de pau, eu tenho juízo. Eu não vou sair trocando. O que tiver de ser trocado para oxigenar, eu o farei”, declarou.
O governador também disse que ainda precisa avançar nas conversas com os partidos aliados para discutir a composição política do próximo período de governo. Ele lembrou que iniciou a campanha com oito legendas na base e destacou a aproximação do PSOL durante a disputa eleitoral, manifestando a expectativa de manter uma boa relação com a sigla.
De acordo com Jerônimo, após concentrar esforços na eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a prioridade agora será organizar os projetos e as ações do governo estadual. Para isso, ele pretende dedicar os próximos 20 a 30 dias à definição das principais metas da administração.
Expansão da rede de saúde está entre as prioridades
Na área da saúde, Jerônimo destacou a intenção de entregar mais nove hospitais estaduais, com unidades previstas em municípios como Serrinha, Valença, Paulo Afonso e Itapetinga. Ele também mencionou estruturas já entregues em Teixeira de Freitas e na região Oeste da Bahia.
O governador ressaltou, porém, que ampliar a rede hospitalar não significa apenas construir novas unidades. Para garantir o funcionamento dos equipamentos, será necessário formar e contratar profissionais especializados, além de assegurar tecnologia e equipamentos adequados.
Como exemplo, citou a oferta de tratamento oncológico em Teixeira de Freitas, que pode diminuir a necessidade de pacientes do extremo sul baiano viajarem até Salvador para receber atendimento.
Jerônimo reconheceu que a falta de profissionais qualificados em algumas regiões representa um desafio para a expansão dos serviços. Por isso, pretende reunir instituições de ensino superior para discutir soluções durante o período de transição.
“Eu preciso levar alguém de fora para poder atuar como profissional de saúde. Então, eu vou chamar agora, na transição, uma equipe das universidades estaduais, das federais, das particulares”, afirmou.
A proposta é avaliar, junto às universidades, a possibilidade de ampliar a formação em medicina, enfermagem, psicologia e outras áreas ligadas à assistência. A oferta de cursos deverá considerar as necessidades das regiões que receberão novos hospitais e serviços de saúde.
A intenção do governo é fazer com que a expansão da estrutura física seja acompanhada pela disponibilidade de trabalhadores capacitados, evitando que novas unidades enfrentem dificuldades para oferecer atendimento.
Jerônimo defende estímulo à formação de professores
Na educação, o governador apontou a necessidade de incentivar a formação de docentes, principalmente nas disciplinas de física e matemática. Para ele, ampliar o interesse pela carreira de professor é parte importante da estratégia para formar profissionais em diferentes setores.
Jerônimo relacionou a preparação de professores ao desenvolvimento de áreas que dependem de uma base sólida de conhecimento, como engenharia, direito e agronomia.
“Essa meninada precisa querer, gostar de ser professores de física, de matemática, para a gente poder ter mais engenheiros, ter mais advogados, ter mais agrônomos”, declarou.
As medidas para fortalecer a formação docente devem integrar o planejamento dos próximos quatro anos, que servirá de referência tanto para a definição das prioridades da gestão quanto para as decisões sobre a composição do secretariado.