O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) defendeu, durante entrevista ao Domingo Espetacular, da Record, uma mudança no modelo de educação das escolas públicas. Ao falar sobre seu plano de governo, o candidato afirmou que pretende priorizar conteúdos como matemática financeira, empreendedorismo, tecnologia, inteligência artificial e ensino técnico e profissionalizante.
Flávio também criticou o que classificou como “ideologia de esquerda” e “doutrinação” dentro das escolas. Segundo ele, os estudantes devem receber formação para a vida profissional, sem que professores imponham determinadas visões aos alunos.
“Eu não quero que as minhas filhas vão para o colégio e sejam ensinadas para uma ideologia de esquerda ou para baixarias como a gente vê comumente acontecer em algumas escolas públicas do Brasil”, afirmou.
Ao ser questionado sobre quais conteúdos deveriam deixar de fazer parte da grade curricular, Flávio citou como prioridade a inclusão de empreendedorismo e matemática financeira. O candidato também resgatou a disciplina Educação Moral e Cívica, presente no currículo escolar durante o período da ditadura militar brasileira.
“Eu sou de uma época (…) que era a educação moral e cívica, quando a gente na escola aprendia a questionar, lia a matéria, dava uma opinião, incentivar os alunos a terem uma opinião, não impor uma opinião, que é a opinião do professor, ao aluno”, declarou.
Flávio também abordou a discussão sobre identidade de gênero nas escolas e afirmou ser contrário ao ensino de determinados conteúdos relacionados ao tema. Ao apresentar seu argumento, citou uma situação envolvendo banheiros femininos.
“Eu não quero a minha filha frequentando dentro de sala de aula ou no colégio dela ou num shopping que ela esteja no banheiro feminino, daqui a pouco entra uma pessoa que se sente mulher no banheiro junto com a minha filha e isso é ensinado dentro de sala de aula”, disse.
Na avaliação do candidato, os pais devem ter autonomia sobre a educação dos filhos.
“Quem tem que ter autonomia sobre seus filhos são os pais. Educação se aprende em casa, no colégio as gerações têm que ir para aprender e se prepararem para a vida, não para serem manipuladas, doutrinadas, como infelizmente acontece”, afirmou.
Ensino técnico, inteligência artificial e profissões do futuro
Além das críticas ao modelo educacional, Flávio apresentou propostas para ampliar a formação profissional dos estudantes. Ele defendeu mais investimentos no ensino técnico e profissionalizante e afirmou que os jovens precisam ser preparados para novas áreas do mercado de trabalho.
“Os nossos jovens têm que aprender tecnologia, têm que aprender inteligência artificial”, declarou.
O candidato também citou a possibilidade de atrair data centers para o Brasil e disse que o país precisará de mão de obra qualificada para trabalhar no setor.
Flávio mencionou ainda o mercado de games como exemplo de uma área com potencial para os jovens. Segundo ele, existem diversas “profissões do futuro” para as quais os estudantes não estariam sendo preparados atualmente.
“Você, jovem que está me assistindo, não vai ter só apenas um diploma pendurado na sua parede, você vai ter o seu diploma e você vai ter a qualificação para conseguir ter o emprego que pague bem ou a sua própria empresa e assim você levar dignidade para a sua família”, afirmou.
Ao longo da entrevista, o candidato também relacionou sua proposta educacional ao empreendedorismo. Ele citou o programa “Minha Primeira Empresa” e afirmou querer estimular os jovens a enxergarem o empreendedorismo como possibilidade profissional.
“Eu quero que as futuras gerações (…) tenham uma expectativa de algum dia na vida quem sabe ser um Elon Musk e não serem o dono da boca de fumo da sua rua”, disse.