Presidente da Fundação Mário Leal Ferreira destacou importância histórica, arquitetônica e comercial da Baixa dos Sapateiros durante lançamento do Programa Fachadas da Memória
A Baixa dos Sapateiros, um dos endereços mais tradicionais de Salvador, ganhou nesta segunda-feira (31) um novo olhar para sua história e arquitetura. Durante o lançamento do Programa Fachadas da Memória, realizado no Final de Linha da Baixa dos Sapateiros, a presidente da Fundação Mário Leal Ferreira (FMLF), Tânia Scofield, ressaltou a importância da região para a preservação da memória da capital baiana.
Segundo Tânia, a iniciativa busca valorizar as características originais das edificações e, ao mesmo tempo, estimular moradores e visitantes a conhecerem ou redescobrirem a área.
“Essa é uma das ruas mais importantes dessa cidade em termos da história, da memória e da arquitetura”, afirmou.
De acordo com a presidente da FMLF, a pintura das fachadas representa uma estratégia para dar maior visibilidade à Baixa dos Sapateiros e chamar a atenção para um patrimônio que, segundo ela, merece ser reconhecido.
“O que a gente está fazendo aqui? Uma pintura para dar visibilidade a essa rua, para dar luz a essa rua, para que as pessoas, os moradores de Salvador, os turistas, aqueles que não conhecem a Baixa do Sapateiro venham conhecê-la”, explicou.
Tânia também destacou que o projeto pretende fazer com que quem já conhece a região possa percebê-la de outra maneira, a partir do resgate de elementos arquitetônicos que marcaram a história do local.
“E aqueles que já conhecem, vão reconhecê-la a partir desse trabalho de buscar as fachadas originais”, acrescentou.
Pesquisa para recuperar as fachadas
Para a presidente da Fundação Mário Leal Ferreira, o trabalho de recuperação das fachadas exigiu uma pesquisa detalhada sobre cada imóvel. Ela explicou que a equipe buscou referências históricas, inclusive no acervo da própria Fundação, para identificar características originais das edificações.
“Nós fizemos um trabalho muito valioso, muito minucioso, de trabalhar cada fachada dessa, buscando, fazendo uma pesquisa, fosse na biblioteca da Fundação. Uma por uma. Nós fotografamos uma por uma”, relatou.
Após o levantamento fotográfico, os arquitetos trabalharam na reconstrução gráfica das fachadas, utilizando registros e referências para identificar elementos que pudessem ser recuperados.
“Depois de fotografado, o arquiteto levou para o computador e desenhou a fachada original”, explicou Tânia.
A definição das cores também fez parte do processo. Segundo ela, a equipe analisou as tonalidades originais e buscou uma composição que permitisse recuperar a identidade visual dos imóveis sem deixar de preservar elementos existentes.
“Na palheta de cores, foi trazendo as cores, aquelas que já eram originais, aquelas que harmonizavam e aquelas que já existiam e que a gente podia preservar”, disse.
Memória, arquitetura e comércio
Durante a fala, Tânia Scofield chamou atenção ainda para as características urbanas da Baixa dos Sapateiros. Ela lembrou que parte da região está inserida na poligonal de tombamento do Centro Histórico de Salvador, enquanto outra parcela está no limite dessa área de proteção.
Para ela, a configuração da Baixa dos Sapateiros também contribui para a necessidade de criar estratégias que estimulem a visitação.
“A Baixa do Sapateiro não é uma rua de passagem, ela é uma rua que começa e termina em si mesma”, afirmou, acrescentando que o local “termina aqui na Barroquinha”.
Na avaliação da presidente da FMLF, essa característica faz com que seja necessário criar motivos para que moradores e visitantes incluam a região em seus percursos pela cidade.
“A gente precisa trazer as pessoas para conhecerem a Baixa do Sapateiro, que tem uma história, tem um comércio muito bom”, defendeu.
Ao final, Tânia classificou o Programa Fachadas da Memória como um passo inicial para fortalecer a preservação da região e evitar que suas características históricas sejam perdidas.
“Eu acho que esse é um primeiro passo para a participação da Baixa do Sapateiro, para não perder a história, não perder a sua memória e não perder essa arquitetura belíssima que tem aqui”, concluiu.