A presença de máquinas nas proximidades de uma área de vegetação nativa às margens da BR-367, em Porto Seguro, no extremo sul da Bahia, tem gerado preocupação entre moradores. O terreno fica próximo ao Aeroporto Internacional de Porto Seguro e ao lado de uma unidade do BH Supermercado.
A movimentação dos equipamentos levantou o temor de que a vegetação seja retirada para a implantação de um empreendimento comercial do tipo atacadão. Até o momento, porém, não há informações confirmadas sobre o início de uma eventual supressão vegetal ou sobre as licenças relacionadas à intervenção.
A área integra um dos fragmentos de Mata Atlântica que ainda resistem nas imediações do município, conhecido por seu patrimônio histórico e paisagístico.
Área fica próxima a patrimônio tombado
A preocupação também envolve a proximidade do terreno com o conjunto paisagístico da Cidade Alta, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 1968. Em 2000, o tombamento foi ampliado para contemplar a proteção paisagística, além dos aspectos arquitetônicos, considerando a moldura original do descobrimento do Brasil.
Moradores temem que novas intervenções nas imediações comprometam a vegetação e a paisagem de uma região que reúne áreas de relevância ambiental e histórica.
Ministério Público ajuizou ação em 2025
Outro ponto de atenção é a existência de uma ação civil pública em defesa do meio ambiente ajuizada pelo Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA), em 2025, perante a Vara Cível da Comarca de Porto Seguro.
O processo, registrado sob o número 8006239-71.2025.8.05.0201, trata da apuração de suposta supressão irregular de vegetação nativa do bioma Mata Atlântica para a implantação de um empreendimento comercial do tipo atacadão.
A existência da ação amplia a cobrança por esclarecimentos sobre a situação jurídica e ambiental do terreno, bem como sobre eventuais autorizações concedidas para intervenções na área.
Moradores cobram esclarecimentos
Diante da presença dos equipamentos, a população cobra informações das autoridades sobre a finalidade das máquinas, a situação do licenciamento ambiental e as medidas previstas para garantir o cumprimento da legislação.
A expectativa é de que o Ministério Público, a Justiça e os órgãos ambientais competentes, incluindo o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), esclareçam a situação e informem quais providências podem ser adotadas para proteger a vegetação nativa.