A presidente da Associação Comercial da Bahia (ACB), Isabela Suarez, aproveitou sua participação no evento SOS Bahia, realizado pela Fundação Índigo em Irecê nesta quinta-feira (5), para traçar um diagnóstico franco sobre o atual momento do setor produtivo no estado. Em conversa com a imprensa, ela revelou que a entidade ainda não fechou uma pauta específica de reivindicações, mas que pretende mobilizar o empresariado baiano logo após o período momesco.
"A gente vai fazer essa convocação agora, tão logo se encerre o período de carnaval, para poder definir quais são os temas prioritários e levar para cada um [dos pré-candidatos] e ver, analisar exatamente quais são as propostas e onde cada um pode ajudar mais", explicou a dirigente, sinalizando que a ACB terá um papel ativo no debate eleitoral de 2026.
Ao avaliar o ânimo da classe empresarial frente à atual gestão estadual e ao cenário econômico, Isabela não hesitou em apontar uma sensação de apatia generalizada. Segundo ela, "o empresário, de certa forma, está desanimado e a gente precisa de um estímulo para que o Brasil trabalhe no máximo da sua potência, valorizando seus recursos naturais e encontrando um ambiente de negócios cada vez mais favorável".
Para a advogada e empresária, esse cenário de paralisia é agravado por entraves institucionais que afugentam investimentos e dificultam o planejamento a longo prazo. Ela destacou que "a crise de insegurança jurídica no qual a gente vive é fundamental e determinante para o não sucesso da atividade empresarial", sendo este um dos principais obstáculos a serem superados para garantir o crescimento econômico da Bahia.
Isabela Suarez também defendeu o fortalecimento das instituições representativas como única forma de o setor produtivo recuperar seu protagonismo nas decisões políticas. Em sua fala, ela convocou os colegas de profissão, desde micro até macroempreendedores, a retomarem o engajamento coletivo.
"Eu convoco e peço aos empresários que a gente se reúna e que o espírito de associativismo tome conta dos empresários, que eles voltem a fazer parte das instituições", afirmou. A presidente da ACB acredita que a fragmentação das demandas enfraquece a categoria perante o poder público, tornando essencial a construção de um discurso comum que reflita os gargalos enfrentados por quem gera emprego e renda no estado.
A líder empresarial reforçou ainda que a relevância política do setor só será restabelecida por meio de uma postura estratégica e unificada. "Afinal de contas, se a gente não tiver um trabalho e uma atuação uníssona, coesa, ninguém vai nos ouvir. Então, as pessoas vão parar para prestar atenção na medida em que a gente aja de forma conjunta", vaticinou Isabela.
Para ela, o setor precisa se unir mais para que suas pautas deixem de ser tratadas como secundárias e passem a ocupar o centro do planejamento governamental. Com a promessa de uma grande mobilização pós-Carnaval, a ACB sinaliza que cobrará dos postulantes ao Palácio de Ondina compromissos claros com a previsibilidade jurídica e a desburocratização do ambiente de negócios.