O presidente da Associação Comercial da Bahia (ACB), Isabela Suarez, manifestou nesta quinta-feira (9) preocupação com o avanço de propostas legislativas que alteram a jornada de trabalho, como a PEC da Escala 6x1, sem o devido debate com quem emprega. Em conversa com a imprensa durante a posse do desembargador Maurício Kertzman na presidência do TRE-BA, a dirigente destacou que o setor produtivo não se opõe à modernização das leis, mas exige cautela para evitar impactos severos, especialmente nos micro e pequenos negócios.
"O que o setor produtivo faz é pedir racionalidade. Não se trata de não querer modernizar ou de não ter empatia, mas é importante salvaguardar o interesse do setor, principalmente do micro e pequeno empresário, que tem sido o foco central da ACB", afirmou Isabela. Ela lembrou que esse segmento é responsável por cerca de 80% dos empregos formais do país e seria o mais atingido por mudanças bruscas no regime de trabalho.
A dirigente mencionou a recente reunião da ACB com o deputado federal Paulo Azi (União Brasil), relator de propostas sobre o tema na CCJ da Câmara. Segundo Isabela, o diálogo é essencial para apresentar alternativas ao texto atual, como a implementação gradual das medidas ou maior flexibilidade para setores com funcionamento contínuo. "O que a gente sente é uma carência de diálogo para que a gente apresente os impactos. A nossa discussão é para que ela ocorra em um momento em que não sirva de palanque eleitoral", pontuou.
Além do debate trabalhista, Isabela celebrou a nova fase do Tribunal Regional Eleitoral sob o comando de Kertzman, ressaltando o papel da Corte na manutenção da paz social. "Desembargador Maurício Kertzman chega num momento delicado da nossa nação. É fundamental que a justiça garanta um processo eleitoral onde todas as partes possam colocar suas propostas de forma transparente e com muita paz para os brasileiros escolherem seus representantes", declarou.
A presidente da ACB revelou ainda que a entidade prepara um grande debate sobre o cenário econômico e político para o final de maio, embora o local ainda esteja sendo definido devido a problemas estruturais no teto do Palácio da Associação Comercial. "Tão logo o convidado confirme a participação, a gente vai anunciar. O Palácio da ACB teve um problema no teto, então esse debate não vai poder ser feito na nossa sede, mas já iniciamos as conversas para alinhar a logística", concluiu, reforçando que a associação continuará firme na construção de propostas que representem todos os segmentos da base associativa baiana.