A presidente da Associação Comercial da Bahia (ACB), Isabela Suarez, defendeu nesta quarta-feira (1º) a necessidade de uma discussão técnica e desvinculada do calendário eleitoral sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa o fim da escala 6x1. Em entrevista à rádio Antena 1, a dirigente expressou preocupação com o uso do tema como plataforma de campanha, alertando para os riscos à sustentabilidade das empresas.
"No ano em que todo mundo está fazendo política eleitoral, esse debate pode ser discutido, mas é preciso muito cuidado ao ser votado. Quando isso é utilizado como ponte de campanha para angariar votos, você não tem nenhuma preocupação com a sustentabilidade das empresas", pontuou Isabela, destacando que o setor produtivo não é contra o bem-estar do trabalhador, mas preza pela responsabilidade econômica.
Como parte da mobilização do empresariado baiano, Isabela Suarez anunciou que a ACB receberá, na próxima segunda-feira, o deputado federal Paulo Azi (União-BA), relator da proposta na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara. O encontro visa aprofundar os impactos da medida, especialmente para micro e pequenas empresas, que são o foco atual da associação.
"Convidamos o relator da medida, o deputado federal Paulo Azi, para a Associação Comercial. O que o setor produtivo quer é um debate racional. Pedimos que o relator leve em consideração uma responsabilidade para o setor empresarial do Brasil", afirmou a presidente.
Isabela Suarez ressaltou que o momento exige cautela extra devido às dificuldades financeiras enfrentadas por pequenos negócios em 2026. Para a ACB, a redução da jornada sem um estudo de viabilidade pode gerar promessas irreais aos trabalhadores. "Existe uma tendência de mentir para o trabalhador que existirão benefícios em torno da redução da jornada. É legítimo querer mais tempo com a família, mas é preciso um debate claro e responsável", concluiu.
A articulação da ACB ocorre em um momento de forte pressão em Brasília. A PEC, que unifica as propostas dos deputados Erika Hilton (PSOL-SP) e Reginaldo Lopes (PT-MG), avançou na CCJ em fevereiro e é considerada uma das prioridades legislativas do governo Lula para o primeiro semestre deste ano.