A presidente da Associação Comercial da Bahia (ACB), Isabela Suarez, reforçou em entrevista à rádio Antena 1 Salvador, nesta quarta-feira (1º), que a previsibilidade das "regras do jogo" é o alicerce fundamental para a sobrevivência de qualquer negócio. Para a dirigente, o cenário atual de constantes mudanças regulatórias e instabilidade jurídica no Brasil afasta o capital estrangeiro e desestimula o empresário local.
"A segurança financeira e jurídica é a prioridade do negócio. Não dá para mudar a regra do jogo com o jogo em andamento. Isso é o básico", pontuou Isabela. Ela destacou que essa defesa tem sido uma marca de sua gestão na ACB e de sua trajetória na Fundação Baía Viva, especialmente em temas sensíveis como a legislação ambiental.
A presidente da ACB argumentou que a insegurança não afeta apenas os grandes conglomerados financeiros, mas todo o ecossistema produtivo. Segundo ela, a clareza nas normas é o maior convite que um país pode fazer a um investidor.
"Eu diria que hoje a segurança jurídica é o que faz a flexibilidade e o convite para que investidores apostem no Brasil. As regras são mudadas a todo tempo, principalmente através da atividade judicial", criticou a dirigente, referindo-se à crescente judicialização de decisões que deveriam ser técnicas ou legislativas.
Isabela Suarez defendeu que temas delicados — como o debate sobre a jornada de trabalho e a escala 6x1 — precisam de um tratamento racional para não ferir o princípio da previsibilidade. Ela mencionou que o papel das entidades de classe é justamente mediar esse diálogo para evitar que "teses jurídicas" frágeis desestabilizem setores consolidados.
"Existe hoje um mundo onde as atividades sólidas são questionadas a todo tempo. Por isso pedimos parcimônia nacional. Você possibilita a discussão através do diálogo e de ações de direito, evitando que a insegurança interfira no campo da previsibilidade", concluiu a presidente, reiterando o compromisso da ACB em ser um porto seguro para o debate econômico responsável em 2026.