A ausência de alianças partidárias na corrida presidencial de 2026 não impedirá Flávio Bolsonaro (PL) de ter uma das maiores fatias de tempo na propaganda eleitoral gratuita. Mesmo seguindo sem coligações, o candidato deverá contar com cerca de 4 minutos e 20 segundos de exposição, segundo estimativa baseada na representatividade das legendas no Congresso Nacional.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por sua vez, deverá ter aproximadamente 5 minutos e 32 segundos. A diferença entre os dois candidatos é estimada em 1 minuto e 12 segundos.
O cálculo considera a composição das bancadas no Congresso e uma parcela do horário eleitoral distribuída igualmente entre os candidatos. Os números citados foram levantados pela CNN a partir de dados disponibilizados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e correspondem ao primeiro turno.
No segundo turno, a regra é diferente: os dois candidatos que avançarem passam a dividir igualmente o tempo destinado à propaganda eleitoral.
Diferença é uma das menores em disputas entre PT e principal adversário
A distância de 1min12s entre Lula e Flávio representa, segundo o levantamento, a segunda menor diferença de tempo entre um candidato do PT e seu principal adversário de direita desde 2010.
A comparação histórica mostra como o espaço destinado à propaganda variou entre as principais disputas presidenciais:
2002: Lula (PT), 5min19s; José Serra (PSDB), 10min23s;
2006: Lula (PT), 7min21s; Geraldo Alckmin (PSDB), 10min22s;
2010: Dilma Rousseff (PT), 10min38s; José Serra (PSDB), 7min18s;
2014: Dilma Rousseff (PT), 11min24s; Aécio Neves (PSDB), 4min35s;
2018: Fernando Haddad (PT), 2min23s; Jair Bolsonaro (PSL), 8s;
2022: Lula (PT), 3min39s; Jair Bolsonaro (PL), 2min38s;
2026: Lula (PT), 5min32s; Flávio Bolsonaro (PL), 4min20s.
Os números também mostram que o tempo de televisão, embora seja um dos instrumentos de exposição dos candidatos, não determina sozinho o resultado das urnas. Em 2018, por exemplo, Jair Bolsonaro venceu Fernando Haddad no segundo turno mesmo tendo apenas oito segundos de propaganda no primeiro turno. Na mesma eleição, Geraldo Alckmin, então candidato do PSDB e dono de uma das maiores parcelas de tempo, terminou a disputa com 4,76% dos votos no primeiro turno.
Reforma eleitoral reduziu tempo total
A quantidade de propaganda disponível aos candidatos mudou significativamente a partir da reforma eleitoral aprovada em 2015.
Até 2014, o horário eleitoral gratuito contava com 50 minutos diários, distribuídos em dois blocos. A partir de 2018, o período destinado aos blocos caiu para 20 minutos por dia, também dividido em duas faixas.
Além dos blocos tradicionais, os candidatos têm direito às chamadas inserções, peças publicitárias de curta duração exibidas ao longo da programação das emissoras. Esses conteúdos podem ter entre 30 e 60 segundos e seguem igualmente critérios de distribuição baseados na representação partidária.
PL segue sem coligação
Sem uma aliança partidária para ampliar sua participação no horário eleitoral, Flávio Bolsonaro dependerá principalmente da representação do PL no Congresso para definir sua presença na propaganda.
O partido, comandado nacionalmente por Valdemar Costa Neto, optou por uma candidatura presidencial sem coligação. Depois de negociações em torno da composição da chapa, Flávio anunciou o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) como candidato a vice-presidente.
Mesmo sem aliados na chapa, o candidato do PL aparece, pela estimativa, com o segundo maior tempo de propaganda entre os presidenciáveis e lidera nesse quesito entre os nomes da direita e da centro-direita.
O TSE divulgou na semana passada a tabela de representatividade das legendas, que servirá de referência para a distribuição do horário eleitoral. A propaganda eleitoral gratuita está prevista para ser veiculada entre 28 de agosto e 1º de outubro.