Em entrevista ao Canal Livre, senador e pré-candidato à Presidência afirmou que beneficiários poderão continuar recebendo o auxílio até alcançar estabilidade no trabalho e prometeu um governo “moderno” e “digital”
O senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República, afirmou durante entrevista ao programa Canal Livre, da TV Bandeirantes, que pretende manter o Bolsa Família e ampliar mecanismos de transição para beneficiários que conseguirem emprego com carteira assinada.
Segundo Flávio, a proposta é evitar que uma pessoa deixe de receber imediatamente o benefício ao ingressar no mercado formal. Na avaliação do senador, a possibilidade de perder a renda de forma abrupta pode desestimular a busca por emprego formal.
“Se você que recebe Bolsa Família consegue um emprego de carteira assinada, você não vai perder o seu benefício. Você vai manter até que você se estabilize nesse emprego”, declarou.
Flávio Bolsonaro também afirmou que a medida teria como objetivo oferecer segurança ao trabalhador durante o período de adaptação ao novo emprego.
“Se eu conseguir um emprego e daqui a pouco eu sou demitido, eu não posso voltar a passar fome. Eu tenho que estar amparado aqui. Eu tenho que ter essa garantia, essa minha estabilidade, que são os 600 reais”, disse.
“Vai ser mantido esse Bolsa Família”
Durante a entrevista, o senador afirmou que o programa social será mantido em um eventual governo sob seu comando. Flávio também associou o valor mínimo de R$ 600 pago durante o governo Jair Bolsonaro à necessidade de garantir renda às famílias durante a pandemia de Covid-19.
“Esse é um caos no país. Então ele conseguiu dar essa renda mínima para essas pessoas”, afirmou, ao defender a política adotada durante a pandemia.
Na sequência, o pré-candidato questionou qual seria o diferencial de sua proposta em relação à manutenção do programa.
“Agora, qual é o a mais que nós vamos oferecer?”, perguntou.
Para Flávio, a política social deve estar acompanhada de medidas capazes de facilitar a entrada dos beneficiários no mercado formal e reduzir a dependência de programas de transferência de renda.
Governo digital e serviços pelo celular
O senador também apresentou como uma das marcas de sua eventual gestão a digitalização dos serviços públicos. Segundo ele, a ideia seria oferecer, diretamente pelo celular, uma série de serviços para a população.
“Vai ser um governo moderno, um governo digital. Na palma da mão, no seu celular, nós vamos oferecer uma esteira de serviço para toda a população”, afirmou.
De acordo com Flávio, a iniciativa teria atenção especial às pessoas que atualmente dependem do Bolsa Família.
A proposta, segundo ele, seria combinar a manutenção temporária do benefício com políticas de estímulo ao emprego formal, criando uma transição considerada mais segura para quem ingressar no mercado de trabalho.
Crítica à informalidade e promessa de reduzir impostos
Flávio Bolsonaro também abordou o alto número de trabalhadores que atuam na informalidade. Durante a entrevista, afirmou que 70% das pessoas que recebem o Bolsa Família trabalham na informalidade e atribuiu parte desse cenário ao receio de perder o benefício e ao peso da carga tributária e da burocracia.
“Por que essas pessoas não estão na formalidade? Porque elas têm medo de perder o benefício e porque está muito caro pagar imposto”, declarou.
O senador defendeu uma revisão da carga tributária como parte de sua proposta econômica. Segundo ele, uma eventual reforma tributária deverá aproveitar aspectos que considera positivos, mas também buscar a redução dos impostos.
“Na reforma tributária, nós vamos aproveitar a parte boa dela, mas vamos trabalhar para que seja reduzida essa carga tributária”, afirmou.
Flávio também criticou o que classificou como excesso de burocracia para quem deseja empreender ou gerar empregos.
“É muita burocracia, é muito imposto”, disse.
A redução da carga tributária, segundo o pré-candidato, seria uma das prioridades de sua eventual administração.
“Essa é a questão que eu vou perseguir”, afirmou.