O candidato ao Governo da Bahia, ACM Neto (União Brasil), apresentou uma severa avaliação sobre a malha rodoviária do estado durante o fórum promovido pela Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb), nesta terça-feira (4), no Teatro Sesc Casa do Comércio, em Salvador. O ex-prefeito da capital criticou o descumprimento de promessas de alinhamento com o Governo Federal e sustentou que o déficit de infraestrutura compromete o escoamento da produção e a competitividade do mercado baiano.
"Há quatro anos, Jerônimo se elegeu prometendo resolver todos os problemas do Estado exclusivamente porque era do mesmo partido do presidente da República. E a situação da BR-324? Essa vergonha que está aí, com impacto direto no transporte, essa dor de cabeça dos buracos, das crateras — e a gente ainda pagando quase R$ 900 milhões de indenização à ViaBahia, que levou tantos e tantos anos, saiu tardiamente e ainda com um cheque enorme na mão", criticou.
Rodovias federais e gargalos estaduais
Ao analisar a situação de importantes eixos logísticos do território baiano, ACM Neto apontou trechos críticos em diferentes regiões.
"Você vai para a BR-242, que é outra via integradora do Estado, que conecta o Oeste com a nossa capital e com tantas outras cidades: há dois [trechos] completamente esburacados. A BR-116 duplicada em um trecho tímido — um trecho tímido. A BR-101 com problemas, a ponte sobre o rio Jequitinhonha...", pontuou.
Potencial turístico e integração do litoral
O prefeiturável usou o turismo como exemplo de setor prejudicado pela falta de planejamento viário de longo prazo, destacando intervenções viárias pendentes na Costa do Descobrimento e Costa das Baleias.
"Ou quando a gente olha na perspectiva do turismo: o que poderia ter acontecido em 20 anos se a gente já tivesse toda uma integração litorânea da Bahia? A ponte que liga Belmonte, Arraial, Canavieiras, ela é essencial para dar um exemplo. Ou, como eu estava outro dia no Prado, a estrada para Cumuruxatiba, para Corumbau e a ligação com Porto Seguro", afirmou.
Proposta de visão estratégica e crítica às "obras eleitoreiras"
ACM Neto traçou a diferença entre articulação política para aportes federais e planejamento orçamentário estadual voltado ao desenvolvimento econômico regional.
"Quais são os caminhos no caso rodoviário? Um é federal: o governador usar toda a sua força, prestígio e mobilização do Congresso para ir a Brasília e buscar soluções que são federais. Outra é estadual", argumentou.
O candidato concluiu atacando a prática de ordens de serviço sem continuidade em períodos que antecedem disputas eleitorais.
"E aí me permita dizer, em uma rápida palavra: o governador sabe estender a mão cheio de papel e ordem de serviço — algumas estradas eleitoreiras que eles começam para tapear antes da eleição, depois param. E não há uma visão estratégica de retorno econômico. Quantas regiões precisam ser integradas para aumentar o escoamento da produção na Bahia? Mas as estradas de integração regional não são feitas porque o que é feito está mais vinculado e preocupado com uma resposta eleitoreira ali na véspera da eleição", finalizou ACM Neto.