Senador e pré-candidato à Presidência pelo PL afirmou, em entrevista ao Canal Livre, que não pretende expor empresários contatados para investir na produção e comparou o caso a relações entre empresários e autoridades públicas
O senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República, defendeu, durante entrevista ao programa Canal Livre, da TV Bandeirantes, a relação que manteve com o empresário Daniel Vorcaro no contexto da produção de um filme sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Questionado sobre a natureza da relação com Vorcaro e sobre a promessa de apresentar informações a respeito das despesas da produção, Flávio afirmou que não pretende divulgar os nomes dos empresários procurados para investir no projeto.
“É óbvio que eu não vou falar para não expor os empresários, porque acontece com quem investe num filme. Aqui no Brasil é isso. É criminalizado uma relação com uma relação privada”, declarou.
Segundo o senador, a produção foi concebida como um projeto privado e teria como objetivo retratar a trajetória de Jair Bolsonaro. Flávio afirmou que a iniciativa partiu de seu interesse em produzir uma obra sobre o pai e que os recursos buscados para o filme seriam provenientes de investimentos privados.
“Foi um filho querendo fazer um filme do pai que buscou investimentos, assinou um contrato para que o filme fosse produzido”, disse.
Durante a entrevista, Flávio também procurou diferenciar sua relação com Vorcaro de encontros e relações mantidos por outras autoridades políticas com empresários. Ao fazer a comparação, citou os ex-ministros Guido Mantega e Ricardo Lewandowski e mencionou ainda o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Na avaliação do senador, haveria uma diferença entre uma relação privada destinada a financiar uma produção cinematográfica e uma eventual negociação envolvendo interesses empresariais e decisões de agentes públicos.
“Isso é uma contrapartida, o homem público deu para um empresário, que não tem nada de privado. Isso é crime”, afirmou, ao apresentar sua interpretação sobre situações que citou durante a entrevista.
Flávio também fez referência a uma reunião envolvendo Lula, Daniel Vorcaro e outras autoridades, apresentando sua própria interpretação sobre o encontro e relacionando o episódio às discussões envolvendo o Banco Master. As afirmações foram feitas pelo senador durante a entrevista e representam sua avaliação sobre o caso.
Filme sobre Jair Bolsonaro
Ao defender a produção, Flávio Bolsonaro afirmou que considera legítimo que Jair Bolsonaro seja retratado em uma obra cinematográfica e disse acreditar que o filme apresentará uma visão positiva sobre a trajetória do ex-presidente.
“Eu acho que ele merece uma obra cultural que fale a verdade, que mostre o homem maravilhoso que ele é, a perseguição que ele sofreu, o que ele teve que passar para ser presidente da República desse país e o que ele está sofrendo até hoje”, declarou.
O tema do filme ganhou repercussão no cenário político após a divulgação de informações sobre o patrocínio e as relações de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro. A própria Band informou que o Canal Livre abordaria as ligações, mensagens e a visita do senador ao dono do Banco Master, além da repercussão do patrocínio ao filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro. (Band)
Na entrevista, Flávio sustentou que a busca por investidores para uma produção cinematográfica não deve ser confundida, em sua avaliação, com negociação de vantagens decorrentes do exercício de um cargo público.
O senador é um dos nomes que se movimentam para a disputa presidencial de 2026, em um cenário no qual a relação com o caso envolvendo o Banco Master e Daniel Vorcaro passou a integrar o debate político em torno de sua pré-candidatura.