O prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), afirmou que o sistema de transporte público por ônibus enfrenta dificuldades financeiras e atribuiu o cenário à queda no número de passageiros e ao aumento dos custos de operação. Durante a entrevista, o gestor citou mudanças nos hábitos da população, a expansão de serviços como Uber e mototáxi e os impactos da pandemia e das guerras sobre os preços dos insumos.
“De Salvador, que não é só de Salvador, é das cidades que têm transporte público sob rodas, e ele estava falido. Isso estourou lá em 2013, naqueles movimentos paredistas, e de lá pra cá só fez piorar com pandemia, com a chegada do Uber, do Moto Uber, do Moto Tax, porque tirou passageiros do sistema, as pessoas mudaram seus hábitos, hoje a pessoa da entrevista é de casa, hoje a pessoa trabalha de casa, estuda de casa, então menos pessoas pegam ônibus”, afirmou.
Segundo Bruno Reis, a redução da receita ocorreu ao mesmo tempo em que os custos das empresas aumentaram. O prefeito citou como exemplos os valores dos ônibus, pneus e combustível utilizados no sistema de transporte público.
“Ônibus aumentou de 500 pra 700 mil reais, o pneu de 500 pra quase mil reais, o combustível, só esse ano já aumentou na bomba, dois reais, tá 7,20 o óleo diesel, então menos receita e mais despesa, o sistema. Quebrou. Sistema de transporte está quebrado”, declarou.
O prefeito também afirmou que o funcionamento atual do sistema em Salvador conta com subsídio da prefeitura. De acordo com Bruno Reis, o município paga R$ 0,50 por passageiro para contribuir com a operação do transporte público.
“Se os ônibus rodam hoje em Salvador, para da prefeitura que paga 50 centavos de subsídio para todo mundo que pega o ônibus. Então hoje a tarifa na porta que é cara, que é pelo serviço que não é de boa qualidade, é R$ 5,90. Mas a tarifa real é R$ 6,40”, disse.
Ainda segundo o prefeito, as dificuldades financeiras enfrentadas pelas empresas prejudicam a capacidade de renovação da frota. Bruno Reis afirmou que a prefeitura precisou recorrer a financiamento para adquirir novos veículos e citou a compra de 344 ônibus convencionais e 180 ônibus elétricos.
“Diante desse cenário, as empresas não têm condições de comprar novos ônibus. Estão lutando aí para cumprir a obrigação de um TAC, que representa 10% da renovação da frota. Essa renovação ia acabar quando, prefeito? 2031. O que a prefeitura fez? Adquiriu financiamento, comprou novos ônibus. Nós estamos comprando 344 ônibus convencionais e 180 ônibus nos técnicos amarelos”, afirmou.
Bruno Reis também detalhou o processo de substituição dos veículos e afirmou que parte dos ônibus adquiridos pela prefeitura já chegou a Salvador. Segundo ele, as empresas também têm uma obrigação de renovação da frota.
“Desses 344 da prefeitura já chegou. As empresas tinham que trocar 170 esse ano, que é 10% da frota de 1.700 veículos, já chegaram 100. Então nós entregamos 326, que estão sendo substituídos”, declarou.