Candidato ao governo do Estado afirma que pretende usar tecnologia, descentralizar o sistema e acompanhar o paciente desde o pedido de internamento até a alta médica
O candidato ao governo da Bahia ACM Neto (União Brasil) defendeu, nesta segunda-feira (3), mudanças no sistema de regulação da saúde do Estado. Durante entrevista a jornalistas na TV Aratu, o ex-prefeito de Salvador afirmou que pretende implantar um modelo inspirado no sistema CROSS, utilizado em São Paulo, com maior uso de tecnologia, descentralização e acompanhamento dos pacientes.
Na avaliação do candidato, a regulação precisa ser conduzida com transparência e sem interferência política. Ao criticar o modelo que, segundo ele, existe atualmente na Bahia, Neto afirmou que haveria influência de indicações políticas no acesso aos serviços.
“A regulação tem que ser transparente, porque hoje existe o QI na regulação, que é o quem indicou. Não vai acontecer isso, ela vai ser transparente”, declarou.
A afirmação foi feita durante a discussão sobre como o Estado poderia reorganizar o sistema responsável por encaminhar pacientes para vagas de internamento e outros atendimentos especializados.
Referência no modelo de São Paulo
Neto citou o sistema CROSS, de São Paulo, como uma das referências para a proposta que pretende implementar na Bahia.
Segundo o candidato, a tecnologia deverá permitir que o Estado acompanhe todo o percurso do paciente dentro da rede de saúde, desde a solicitação do internamento até a conclusão do atendimento.
“O Estado vai acompanhar o paciente da hora que ele pede o internamento, até o momento que ele tem a alta médica, então todo aquele processo vai ser acompanhado”, afirmou.
Na proposta apresentada por Neto, o sistema também seria descentralizado, com organização regional da regulação para evitar que pacientes precisem ser encaminhados para outras regiões sem uma estrutura territorial adequada.
“Não haverá indicação política”
O candidato voltou a enfatizar que pretende retirar indicações políticas do processo de regulação caso seja eleito.
“Uma parte do problema da regulação se resolve com sistema, com tecnologia e com gente qualificada e sem indicação política. Não haverá indicação política para a regulação do Estado”, disse.
A declaração ocorreu após Neto relatar uma conversa que, segundo ele, teve recentemente com uma pessoa durante uma passagem pelo extremo sul da Bahia. O candidato afirmou que recebeu a queixa de que havia necessidade de internamento e que o paciente precisou ser encaminhado para outra região.
Neto defendeu que o sistema seja estruturado de forma regionalizada, considerando a distribuição territorial da população e da rede de atendimento.
“Ora, não há uma organização territorial e regional da regulação, coisa que nós vamos fazer”, afirmou.
A proposta apresentada pelo candidato combina, portanto, três eixos principais: uso de tecnologia, descentralização da regulação e qualificação das equipes, acompanhados, segundo ele, de uma regra de não utilização de indicações políticas no processo.
Ao concluir a resposta, Neto resumiu a proposta afirmando que parte dos problemas enfrentados atualmente poderia ser atacada com a modernização do sistema.
“Uma parte do problema da regulação se resolve com sistema, com tecnologia e com gente qualificada e sem indicação política”, reiterou.